quinta-feira, 17 de março de 2011

Amor ಌ


"Quem é que nunca teve um Marcelo, um Felipe, um Ricardo, um Sérgio, um Júlio ou um Alexandre na vida? Tudo bem, pode ser uma Juliana, uma Ana, uma Patrícia ou uma Aline...

Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa! Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma, e ter apenas uma é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo!

A fila anda, a coleção de figurinhas cresce, a conta do telefone é sempre altíssima. Mas e aí? O que isso te acrescenta?

Porque nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: “Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala, não despenca logo na sua vida?”.

Se o tal “amor” é impontual e imprevisível, que se dane! Não adianta: as pessoas são impacientes! São e sempre vão ser! Tem gente que diz que não é... “Eu não sou ansioso, as coisas acontecem quando tem que acontecer...”. Mentira!

Por dentro, todo ser humano é igual: impaciente, sonhador, iludido... Jura de pé junto que não é, mas vive sempre em busca da famosa cara metade! Pode dar o nome que quiser: amor, alma gêmea, par perfeito, a outra metade da laranja... No fim, dá no mesmo.

Pode soar brega, cafona... Mas é a realidade. Inclusive, o assunto “amor” é sempre cafoníssimo. Acredito que o status de cafona surgiu porque a grande maioria das pessoas nunca teve a oportunidade de viver um grande amor.

Poucas pessoas experimentaram nesta vida a sensação de sonhar acordada, de dormir do lado do telefone, de ter os olhos brilhando, de desfilar com aquele sorriso de borboleta azul estampado no rosto...

Não lembro se foi o Wando ou o Reginaldo Rossi que disse em uma entrevista que se a Marisa Monte não tivesse optado pelo “Amor, I love you”, e se o Caetano não tivesse dito: “Tô me sentindo muito sozinho...”, eles não venderiam mais nenhum disco. Não adianta! O público gosta e vibra com o “brega”. Não adianta tapar o Sol com a peneira!

Por mais que você não admita:

– Você ficou triste porque o Leonardo DiCaprio morreu em Titanic e ficou feliz porque Julia Roberts e Richard Gere acabaram juntos em Uma Linda Mulher;

– Existe pelo menos uma música sertaneja ou um pagodinho que te deixe com dor de cotovelo;

– Quando você está solteiro e vê um casal aos beijos no meio da rua, você sente a maior inveja;

– Você já se pegou escrevendo o seu nome e o da pessoa pelo qual você está apaixonado no espelho embaçado do banheiro, ou num pedacinho de papel;

– Você já se viu cantando o mantra “toca telefone, toca”, em alguma das sextas-feiras de sua vida, ou qualquer outro dia que seja;

– Você já trocou os pés pelas mãos alguma vez na vida e se atirou de cabeça numa relação sem nem perceber que mal conhecia a outra pessoa e com esse seu jeito de agir, ele te acharia uma tremenda louca;

– Você, assim como nos contos de fadas, sonha em escutar um dia o tal: “E foram felizes para sempre!”.

Bem, preciso continuar? Ok, acho que não... Negue o quanto quiser, mas sei que já passou por isso, e se não passou, não sabe o que está perdendo..."

Luiz Fernando Veríssimo

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